Viver devagar virou um ato de rebeldia
- Home e Marketing
- há 4 dias
- 2 min de leitura
Em um mundo onde tudo é urgente, viver devagar parece quase um erro. Se você responde mensagens com calma, não posta todos os dias, não está sempre “correndo atrás”, logo vem o rótulo: desmotivado, acomodado, fora do ritmo. Mas a verdade é outra, desacelerar virou um pequeno ato de rebeldia cotidiana.
A lógica atual é a da pressa. Produzir mais, consumir mais, opinar mais, aparecer mais. A agenda cheia virou medalha de mérito e o cansaço constante, prova de importância. Descansar, nesse cenário, soa como falha de caráter. Só que o corpo e a mente não assinaram esse contrato.
Viver devagar não é viver sem propósito. É escolher presença em vez de urgência. É fazer uma coisa de cada vez, terminar uma conversa sem olhar o celular, comer sem rolar o feed, caminhar sem transformar tudo em meta. É recuperar o direito de sentir o tempo passar, algo que a pressa tenta roubar.

Existe também um medo coletivo de ficar para trás. A comparação é constante e cruel: alguém sempre parece estar fazendo mais, ganhando mais, vivendo melhor. A aceleração vira defesa emocional. Mas correr o tempo todo não garante chegar a lugar nenhum. Muitas vezes, só garante o esgotamento.
Desacelerar, hoje, é dizer “não” para excessos normalizados. Não a jornadas infinitas, não à produtividade tóxica, não à ideia de que valor pessoal está ligado a desempenho. É um movimento silencioso, quase invisível, mas profundamente político: escolher cuidar de si em um sistema que lucra com o seu cansaço.
Viver devagar também exige coragem. Coragem para lidar com o tédio, com o silêncio, com as próprias perguntas. Quando o barulho diminui, a gente se escuta e nem sempre isso é confortável. Talvez por isso tanta gente evite parar.
No fim, viver devagar não é desistir da vida, é retomá-la. É entender que nem tudo precisa ser acelerado, compartilhado ou monetizado. Em tempos de urgência artificial, quem desacelera não está fugindo. Está resistindo.




Comentários