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A crise da originalidade na era da IA

  • há 38 minutos
  • 3 min de leitura

Quando criar ficou barato e ser relevante ficou caro.


Nunca se produziu tanto conteúdo. E paradoxalmente, nunca foi tão difícil capturar atenção real.


Ferramentas como OpenAI e Midjourney reduziram drasticamente o custo de criação. O que antes exigia equipe, tempo e orçamento hoje pode ser feito em minutos. A barreira técnica caiu. A barreira estratégica subiu.


Segundo relatórios recentes de mercado, o volume de conteúdo publicado por marcas cresceu exponencialmente nos últimos dois anos, enquanto o engajamento médio orgânico caiu em diversas plataformas. Mais posts. Menos atenção. Mais produção. Menos impacto.


O problema não é excesso de conteúdo.


É excesso de conteúdo parecido.



A padronização invisível


Quando milhares de criadores utilizam modelos de prompt semelhantes, treinados nas mesmas bases culturais globais, o resultado tende à homogeneização estética.


• Textos com a mesma estrutura persuasiva.

• Artes com iluminação e composição similares.

• Roteiros com ritmo previsível.

• Narrativas com as mesmas “jornadas emocionais”.


A IA não inventa cultura, ela reorganiza cultura existente.Isso acelera tendências, mas também esgota estilos em tempo recorde.


O ciclo de hype encurtou. O que antes durava anos, agora dura meses.


A economia da abundância criativa


Em termos de mercado, estamos vivendo uma mudança clássica de oferta e demanda:


  • Oferta de conteúdo: praticamente infinita.

  • Capacidade de atenção: biologicamente limitada.


A atenção virou ativo escasso. E ativos escassos ficam caros.


Marcas que antes competiam por qualidade técnica agora competem por diferenciação perceptiva. A régua subiu. Não basta ser bem produzido. Precisa ser memorável. E memorável não nasce da média estatística.


A nova vantagem competitiva: ponto de vista


Se qualquer pessoa pode gerar um artigo “bom”, o diferencial deixa de ser execução e passa a ser visão.


O mercado começa a valorizar:


• Curadoria com critério.

• Posicionamento claro.

• Repertório cultural autoral.

• Narrativa conectada à realidade do público.


Originalidade deixa de ser estética e vira posicionamento.


Não é mais sobre fazer algo nunca visto.


É sobre dizer algo que só você diria daquele jeito.


O risco da mediocridade eficiente


A IA é excelente em gerar o “acima da média”.Mas o mercado não remunera média. Ele remunera destaque.


Existe um risco silencioso surgindo: a mediocridade eficiente.


Conteúdos corretos, bem estruturados, otimizados para SEO e completamente esquecíveis.


Empresas que substituem integralmente o pensamento estratégico por automação criativa podem ganhar velocidade no curto prazo. Mas perdem identidade no médio. E identidade é ativo de longo prazo.


Dados, algoritmo e a ilusão da performance


Algoritmos premiam retenção e interação rápida. A IA ajuda a otimizar para isso. Mas otimizar para o algoritmo não significa construir marca.


Há uma diferença entre:


• Conteúdo que performa.

• Conteúdo que posiciona.

• Conteúdo que constrói reputação.


Na era da IA, muitos estão focados apenas no primeiro.


O que o mercado começa a entender


Empresas mais maduras já estão migrando para um modelo híbrido:


IA para escala.

Humano para estratégia.

IA para eficiência.

Humano para diferenciação.


Porque a pergunta deixou de ser “como produzir mais?”

E passou a ser “como ser lembrado?”


A provocação final


A crise da originalidade não é uma crise criativa.

É uma crise de profundidade.


Se todos têm acesso à mesma ferramenta, o diferencial não é a tecnologia, é o repertório, a vivência, o risco assumido e a coragem de ter opinião.


No fim, a IA não está eliminando criadores.

Ela está eliminando criadores genéricos.


E isso pode ser desconfortável, mas também é um filtro poderoso.

 
 
 

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