Você ainda é útil ou já pode ir?
- Home e Marketing
- 6 de jan.
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A pergunta pode até parecer exagerada, mas ela ronda silenciosamente muitos ambientes, principalmente os profissionais. Não é dita em voz alta, claro. Vem disfarçada de cortes, de silêncios, de convites que deixam de chegar. No fundo, a mensagem é simples e dura: enquanto você entrega, fica. Quando para de render, vira descartável.

A lógica da utilidade contaminou as relações. Pessoas passaram a ser vistas como função, não como história. Vale enquanto resolve, enquanto agiliza, enquanto dá resultado. Depois, vira custo, peso, atraso. E ninguém quer ser o que “atrapalha o fluxo”.
O problema é que essa mentalidade não fica só no trabalho. Ela escorre para amizades, relacionamentos, famílias. Quando você está bem, disponível, forte, todo mundo se aproxima. Quando precisa de tempo, cuidado ou silêncio, o entorno rareia. Como se fragilidade fosse falha de desempenho.
A cultura do “seja útil” criou um medo coletivo de parar. Medo de adoecer, de envelhecer, de mudar de ritmo. Porque, se você desacelera, surge a dúvida cruel: ainda sirvo? Ainda sou necessário? Ainda mereço espaço?
Mas pessoas não são ferramentas. Não vieram ao mundo com prazo de validade baseado em produtividade. Todo mundo atravessa fases de potência e de recolhimento. De entrega e de pausa. Isso não diminui ninguém, humaniza.
Ser útil não deveria ser condição para existir. Afeto não é contrato de desempenho. Presença não é cargo. E respeito não pode depender do quanto você entrega.
Talvez a pergunta precise ser devolvida de outro jeito: você só se permite ficar onde precisa provar valor o tempo todo? Porque lugares e relações saudáveis não te perguntam se você ainda é útil. Eles te perguntam se você está bem.
No fim, continuar não deveria depender da sua utilidade, mas da sua humanidade.




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