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Tudo que não obedece a um ritmo produtivista fica visto como ruim

  • Foto do escritor: Home e  Marketing
    Home e Marketing
  • 5 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 6 de jan.

Vivemos na era do “e aí, já fez o quê hoje?”. Acordou cansado? Falhou. Tirou um tempo pra não fazer nada? Suspeito. Foi improdutivo? Quase um crime social. Parece que, se não está rendendo, entregando ou performando, você está automaticamente atrasado na vida.


O ritmo produtivista virou régua moral. Ele não mede só trabalho, mede valor pessoal.


Quem produz muito é exemplo. Quem desacelera é visto como preguiçoso, fraco ou desmotivado. Descansar, sentir, pausar, pensar… tudo isso entrou para a lista do “tempo perdido”.



A lógica é simples e cruel: se não gera resultado mensurável, não serve. Um café sem pressa vira desperdício. Um dia sem tarefas vira culpa. Um processo mais lento vira incompetência. E assim, aos poucos, a gente aprende a se vigiar o tempo inteiro.


O problema é que a vida real não funciona em planilha. Emoções não batem meta. Luto não respeita cronograma. Criatividade não surge sob pressão constante. Existem coisas fundamentais que só acontecem fora do ritmo acelerado e justamente por isso passam a ser desvalorizadas.


A cultura do “sempre ocupado” criou um cenário curioso: pessoas exaustas competindo para ver quem aguenta mais. Dormir pouco virou mérito. Estar sempre cansado virou status. E admitir cansaço virou quase um pedido de desculpa.


Tudo que foge dessa lógica é tratado como falha. O silêncio incomoda. A pausa gera culpa. O descanso precisa ser justificado. Até o lazer virou produtivo: “descansar para render melhor depois”. Como se o simples fato de existir precisasse dar retorno.


Mas desacelerar não é retroceder. É sustentar o caminho. Ritmo não é pressa, é constância. E nem tudo precisa virar resultado para ter valor. Algumas coisas só precisam ser vividas.


Talvez seja hora de questionar essa ideia de que só o que corre rápido presta. Porque, no fundo, não é a vida que está lenta demais, é o mundo que desaprendeu a respirar.

 
 
 

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