Terapia virou lifestyle?
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- 26 de jan.
- 2 min de leitura
Ir à terapia já foi tabu. Hoje, virou assunto de roda de amigos, legenda de post e até critério de relacionamento. Em 2026, falar que “faz terapia” soa quase como dizer que treina ou que se alimenta bem. Mas a pergunta que fica é: terapia virou um verdadeiro cuidado emocional ou apenas mais um item do lifestyle contemporâneo?

Quando cuidar da mente virou identidade
Não é raro ver pessoas se apresentando a partir do autocuidado: terapia, yoga, meditação, journaling. Tudo isso é válido, e importante. O problema começa quando o processo vira rótulo. A terapia deixa de ser espaço de escuta e passa a funcionar como selo de evolução pessoal.
Fazer terapia não significa, automaticamente, ser emocionalmente maduro.
O vocabulário terapêutico saiu do consultório
Termos como “gatilho”, “limite”, “trauma”, “autocuidado” e “energia” invadiram o dia a dia. Isso ajudou muita gente a se entender melhor, mas também criou um efeito colateral: o uso raso desses conceitos para justificar comportamentos ou evitar conversas difíceis.
Nem todo desconforto é trauma. Nem toda frustração é gatilho.
Terapia não é estética emocional
Existe uma versão instagramável do cuidado emocional: frases prontas, rotinas perfeitas, evolução constante. Só que a terapia real é bagunçada, desconfortável e cheia de contradições. Ela não rende boas fotos, nem stories inspiradores, rende questionamentos.
Se está sempre bonito, talvez não esteja sendo profundo.
Autoconhecimento não substitui responsabilidade
Outro ponto delicado: usar a terapia como escudo. “Eu sou assim porque estou em processo” virou desculpa frequente para não mudar atitudes ou assumir erros. A terapia ajuda a entender padrões, mas não elimina a responsabilidade sobre o impacto que causamos nos outros.
Consciência sem ação vira só discurso.
Cuidar da mente não é tendência, é necessidade
Apesar de tudo, é importante dizer: o fato da terapia estar em pauta é um avanço. Falar sobre saúde mental salva, acolhe e normaliza dores que antes eram silenciadas. O risco não está em fazer terapia, mas em transformá-la em performance.
Terapia não é lifestyle. É ferramenta. E funciona melhor longe dos holofotes.
No fim, talvez o verdadeiro cuidado emocional seja menos sobre dizer que faz terapia, e mais sobre o que você faz com o que descobre lá dentro.




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