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O sucesso que não convence mais

  • Foto do escritor: Home e  Marketing
    Home e Marketing
  • 21 de jan.
  • 2 min de leitura

Por muito tempo, vencer na vida teve um roteiro bem definido. Estudar sem parar, trabalhar até a exaustão, transformar qualquer talento em renda e, se possível, postar tudo com um sorriso no rosto. O sucesso virou uma maratona pública, e quem cansava no meio do caminho parecia fracassado. Mas algo mudou. Em silêncio, sem manifesto ou hashtag oficial, uma geração inteira começou a dizer: não quero vencer, só quero viver.



Esse abandono não é preguiça, nem falta de ambição. É cansaço. Cansaço de uma narrativa que promete realização, mas entrega ansiedade; que chama de “propósito” o que muitas vezes é apenas sobrevivência disfarçada de glamour. O discurso do sucesso ficou barulhento demais e caro demais, emocionalmente falando.


Hoje, muita gente jovem não quer mais transformar hobbies em startup, nem fazer do descanso um intervalo produtivo. Quer trabalhar, sim, mas sem que o trabalho engula a própria vida. Quer ganhar dinheiro, mas não ao custo da saúde mental. Quer crescer, mas sem precisar provar isso o tempo todo para a internet.


O curioso é que essa mudança não acontece em grandes anúncios. Ela aparece em decisões pequenas: recusar um cargo que exige disponibilidade total, não aceitar virar “o próprio marketing pessoal”, preferir um salário ok com tempo livre a um salário alto com burnout garantido. Aparece também no jeito de falar, menos frases motivacionais, mais honestidade sobre limites.


O sucesso tradicional sempre foi vendido como linha de chegada. Mas e se ele nunca foi um lugar, e sim uma promessa que se afasta quanto mais a gente corre? Talvez por isso tanta gente esteja desacelerando. Não por falta de sonhos, mas por perceber que alguns sonhos não eram seus, eram herdados.


Esse movimento também expõe uma frustração coletiva: a conta não fecha. Mesmo fazendo tudo “certo”, estudando, se qualificando e trabalhando duro, a estabilidade não vem. O futuro não parece garantido. E quando o esforço não entrega segurança, o discurso de vencer perde o sentido. O que sobra é a pergunta básica: vale a pena?


Viver, nesse novo contexto, virou um ato quase político. Dormir bem, almoçar sem pressa, ter tempo para vínculos reais, não monetizar cada aspecto da existência. É escolher uma vida possível, não uma vida vendável. É trocar o pódio pela presença.


Isso não significa desistir de crescer. Significa redefinir crescimento. Talvez vencer, hoje, seja conseguir pagar as contas sem perder a si mesmo no processo. Seja ter uma rotina que caiba no corpo. Seja não odiar as segundas-feiras. Seja conseguir dizer “não” sem culpa.


O discurso de sucesso não acabou, ele só deixou de ser unanimidade. E no lugar do “vencer a qualquer custo”, surge algo mais silencioso, menos instagramável e infinitamente mais humano: a vontade simples de viver bem o suficiente.


Sem aplausos. Sem troféu. Mas com fôlego.

 
 
 

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