O amor ficou mais honesto ou só mais direto?
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- 11 de jan.
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Se apaixonar nunca foi simples. Mas, convenhamos, também nunca foi tão direto. Hoje em dia, o amor chega em forma de mensagem curta, emoji estratégico e respostas que demoram exatamente o tempo suficiente para parecer desinteresse calculado. A pergunta que fica é: a gente aprendeu a ser mais honesto ou só ficou mais objetivo e um pouco menos paciente?

Antigamente, muita coisa era engolida. As pessoas insistiam mais, toleravam mais, explicavam menos. Havia romances longos que duravam mais por falta de opção do que por vontade. Hoje, não. Se não está bom, a conversa acaba, o match some, o contato é cortado. Isso pode ser maturidade emocional… ou só pressa disfarçada.
Existe, sim, um lado positivo. Nunca se falou tanto sobre limites, combinados e expectativas. “Não quero algo sério”, “não estou disponível emocionalmente”, “prefiro algo leve”. Frases diretas evitam ilusões desnecessárias. Doem? Às vezes. Mas também poupam tempo e energia. Nesse sentido, o amor ficou mais honesto.
Por outro lado, a franqueza ganhou um tom frio. A facilidade de ir embora criou relações descartáveis. Pessoas viraram experiências rápidas: se não encaixa, troca. Se exige conversa difícil, abandona. Se pede profundidade, assusta. O amor ficou direto, mas também impaciente.
As relações hoje acontecem no ritmo do feed: rápidas, intensas e facilmente substituíveis. Quando surge o primeiro conflito, muitos preferem silenciar a notificação emocional do outro em vez de encarar o diálogo. Não é que falte sentimento falta disposição para o processo.
Talvez o ponto esteja no equilíbrio. Ser direto não deveria significar ser raso. Honestidade não precisa vir sem cuidado. Dá para dizer o que se sente sem brutalidade, colocar limites sem desumanizar, ir embora sem tratar o outro como algo descartável.
O amor moderno parece menos romântico nos moldes antigos, mas também menos iludido. Ele pede clareza, presença e responsabilidade emocional mesmo quando a decisão é não ficar. No fim, o amor não ficou melhor nem pior. Ele só ficou mais explícito. E isso nos obriga a lidar, sem filtros, com quem somos e com o que realmente estamos dispostos a oferecer.




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