Gente não é serviço prestado
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- 2 de jan.
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Tem uma coisa que anda me incomodando faz tempo: a forma como algumas pessoas tratam outras como se fossem um aplicativo. Funciona enquanto é útil, resolve um problema, entrega o que eu preciso. Depois? Fecha, desinstala, ignora.
Só que gente não é serviço prestado.
Gente não é atendimento ao cliente, nem plano mensal, nem conveniência emocional.

A gente vive num tempo em que vínculos são tratados como contratos invisíveis. Enquanto você escuta, ajuda, resolve, acolhe, você é “incrível”. Quando cansa, quando diz não, quando falha ou simplesmente muda de fase… pronto. O interesse some, o contato esfria, o respeito evapora.
E isso diz muito mais sobre quem usa do que sobre quem foi usado.
Existe uma cultura silenciosa de consumo de pessoas. Consumir amizade, consumir afeto, consumir presença. Gente que só aparece quando precisa, que só chama quando convém, que só valoriza quando está sendo beneficiada. Não é relação, é utilidade disfarçada de carinho.
Relacionamento de verdade não funciona no esquema “sirva-me ou suma”.
Gente de verdade tem limites. Tem dias ruins. Tem cansaço. Tem momentos em que não pode, não quer ou não dá. E isso não deveria ser motivo de descarte, mas de respeito.
Porque vínculo saudável não se sustenta apenas na vantagem, se sustenta na troca, e troca não é exploração.
Talvez o mais difícil seja aceitar que nem todo mundo quer caminhar com você. Alguns só querem carona. Querem o seu tempo, sua escuta, sua energia, mas não estão dispostos a oferecer o básico: consideração.
E tudo bem se afastar disso. Não é frieza, é maturidade.
Valorizar quem te trata como gente, não como recurso, é um ato de amor próprio. Permanecer onde só te procuram quando precisam é uma forma silenciosa de se abandonar.
No fim das contas, fica o lembrete que deveria ser óbvio, mas anda esquecido:gente sente, gente muda, gente não é serviço prestado.
E quem não entende isso, provavelmente nunca esteve disposto a se relacionar de verdade.




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