Amor, amizade e o manual de uso
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- 6 de jan.
- 2 min de leitura
Se amor e amizade viessem com manual, muita gente finalmente entenderia onde está errando. Teria aviso em letras grandes: não force, não use até gastar, não descarte quando parar de ser conveniente. Mas não vem. E talvez seja exatamente aí que mora o problema.

A gente aprendeu a se relacionar como quem compra um produto novo. Enquanto funciona do jeito que esperamos, tudo ótimo. Quando começa a dar trabalho, a primeira reação é trocar. Pouca gente quer ler as entrelinhas, ajustar expectativas ou aceitar que relações não vêm prontas.
Existe um manual invisível sendo seguido por aí. Ele diz que amigo bom é o que está sempre disponível. Que amor de verdade não falha. Que quem se afasta é porque não se importa. Só esqueceram de avisar que pessoas cansam, mudam, amadurecem e, às vezes, precisam de espaço.
O erro começa quando tentamos usar o outro para preencher vazios que são nossos. Queremos que o amor cure inseguranças, que a amizade resolva solidão, que alguém nos salve do caos interno. Quando isso não acontece, vem a frustração e o descarte.
Amor e amizade não são aplicativos intuitivos. Não funcionam no modo automático. Exigem conversa, paciência e, principalmente, humanidade. Não têm botão de reiniciar rápido, nem garantia vitalícia.
Talvez o único “manual” possível seja esse: não trate pessoas como funções. Não cobre presença sem oferecer escuta. Não confunda carinho com obrigação. E não ache que tudo que muda acabou, às vezes só está se transformando.
No fim, amar e ser amigo é aceitar que o outro não vem com instruções claras, mas com limites, histórias e fases. E que o uso consciente das relações passa menos por regras e mais por respeito.




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